segunda-feira, 31 de março de 2025
CT Nº 473 - FEIJÃO DE TROPEIRO
O feijão tropeiro surgiu no Brasil através de um movimento chamado “Tropeirismo”, o qual ocorreu no século XVIII, no auge do ciclo da mineração no estado de Minas Gerais que estava a enfrentar dificuldades devido o tipo de terreno daquela região e a distância em relação ao litoral do Brasil.
Série: Comidas Típicas
Marcador: Comidas
CT Nº 472 - COMBATENTE DE SELVA
Soldado especializado em operações de Guerra na Selva.
É formado nos Batalhões de Infantaria de Selva, localizados na Região Amazônica, e no Centro de Instrução de Guerra na Selva em Manaus/AM.
Série: Exército Brasileiro
Marcador: Profissões
CT Nº 471 - INSTITUTO AYRTON SENNA
O Instituto Ayrton Senna é uma ONG brasileira criada pela família Senna em 1994 tendo como presidente Viviane Senna, empresária e irmã do tricampeão de Fórmula 1. O Instituto concretiza o sonho de Ayrton Senna de ajudar o Brasil a diminuir as desigualdades sociais, criando oportunidades de desenvolvimento humano a crianças e jovens por meio da educação.[1]
Anualmente a organização capacita 60 mil educadores e seus programas beneficiam diretamente cerca de 2 milhões de alunos em mais de 1300 municípios nas diversas regiões do Brasil.[2]
Em março de 1994, o tricampeão de Fórmula 1 Ayrton Senna compartilhou com sua irmã, Viviane Senna, o desejo de realizar uma ação sistemática para oferecer oportunidades de desenvolvimento humano a crianças e jovens de baixa renda. Ficaram de retomar o assunto no final da temporada daquele ano, mas não deu tempo. Com o acidente em Ímola, em 1º de maio, a família Senna resolveu fundar o Instituto Ayrton Senna.[1]
Em 2003 a UNESCO concedeu ao Instituto a chancela da Cátedra de Educação e Desenvolvimento Humano, feito inédito para uma ONG em todo o mundo.[4]
Em 2012, o Instituto Ayrton Senna foi convidado pela Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico (OCDE) a integrar a rede NetFWD (Net Forward), um fórum internacional que reúne uma dezena de institutos e fundações capazes de inspirar propostas inovadoras para a atuação social privada com foco no desenvolvimento em todo o mundo. O fórum conta com organizações que atuam em diferentes setores, e o Instituto Ayrton Senna, única organização brasileira participante do grupo fundador, foi convidado por sua atuação e produção de conhecimento na área da educação.[5]
A organização coloca a disposição das administrações públicas, gratuitamente, serviços de gestão do processo educacional que incluem diagnóstico e planejamento, formação de gestores e educadores, desenvolvimento de soluções pedagógicas e tecnológicas inovadoras.[2]
A principal ideologia do Instituto é promover a educação integral para o pleno desenvolvimento de crianças e jovens em suas múltiplas competências, ajudando os estudantes a ter sucesso na escola e a serem cidadãos capazes de responder às exigências profissionais, econômicas, culturais e políticas do século XXI.[2]
Formação de educadores
Anualmente, pelo menos 60 mil profissionais recebem capacitação em serviço, coaching, tutoria e supervisão. Não apenas os professores, mas também os gestores escolares desenvolvem capacidades voltadas à gestão integrada. Tanto a administração das escolas quanto o próprio processo educacional são abordados na perspectiva de uma gestão focada em resultados - o aprendizado do aluno -, para garantir alfabetização na idade adequada, corrigir o atraso escolar, evitar a repetência e o abandono.[2]
Soluções educacionais
Todas as soluções educacionais criadas e implementadas pelo Instituto Ayrton Senna, em parceria com as redes de ensino, ONGs e universidades, têm como objetivo o desenvolvimento pleno das crianças, dando-lhes subsídios para que obtenham êxito na escola e possam traçar uma história de sucesso, como pessoas, cidadãos e futuros profissionais, desenvolvendo competências como: iniciativa e autonomia, liderança, comunicação, trabalho em equipe e diversas outras, consideradas fundamentais para o século 21.[2] As soluções educacionais são incorporadas às atividades das redes escolares. Programas do Instituto articulam essas soluções de acordo com as principais necessidades de cada rede escolar.[2]
Gestão da escola e do aprendizado
O Programa "Gestão Nota 10" oferece capacitação e ferramentas gerenciais para as Secretarias de Educação e os gestores escolares.[6]
A cultura da boa gestão escolar também está aplicada ao processo de aprendizagem, por meio do Programa "Circuito Campeão", que orienta e monitora diretamente as ações educacionais de combate ao analfabetismo e à baixa aprendizagem nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Para atender alunos cronicamente defasados, com dificuldades de aprendizagem, e ajudá-los a chegar à série adequada a suas idades, as redes de ensino têm como aliados os Programas "Se Liga", "Acelera Brasil" e "Fórmula da Vitória".[6]
Educação de jovens
O Programa "SuperAção Jovem" propõe uma criativa mobilização para a formação de estudantes, que passam a ser protagonistas da própria aprendizagem, enquanto os educadores também são formados para serem protagonistas na gestão da sala de aula e da escola.[6] Com os programas "Educação pela Arte" e "Educação pelo Esporte" os alunos ganham espaço para o desenvolvimento de competências essenciais, como a criatividade, a colaboração e a gestão da informação, por meio do trabalho com projetos e temas contemporâneos altamente motivadores para as novas gerações.[6]
Educação e tecnologia
Nos programas de Educação e Tecnologia são articulados os mais novos recursos tecnológicos com metodologias que expandem as possibilidades de aprendizado e desenvolvimento, tanto para professores quanto para alunos.[7]
O Programa "Escola Conectada" leva soluções para a formação continuada dos professores e, também, para a sua capacitação no uso de tecnologias e ambientes online no processo de desenvolvimento dos alunos.[7]
O trabalho do Instituto Ayrton Senna alcança todas as regiões do Brasil. Em 1998 eram apenas 24 os municípios que adotavam suas soluções educacionais; em 2012 já alcançava mais de um quarto dos municípios brasileiros, onde cerca de 2 milhões de alunos são diretamente beneficiados anualmente.[4]
A capilaridade da atuação se amplia à medida que estados e municípios adotam soluções educacionais como parte de suas políticas de educação, como aconteceu com a prefeitura de São Paulo no final de 2017 e o governo estadual de São Paulo em abril de 2018.[8][9] Em novembro de 2018, o Instituto apresentou um diagnóstico da educação brasileira a pedido do governo eleito que tomará posse em 2019.[10]
O Instituto Ayrton Senna incorporou a cultura da avaliação. É a avaliação que permite observar de forma objetiva os erros e acertos das ações, orientando ajustes imediatos e pautando novas pesquisas para o aperfeiçoamento e desenvolvimento das soluções educacionais. A avaliação também pauta a tomada de decisões com base em dados e evidências, e traz os resultados concretos de todo o trabalho.[11]
O Instituto de Estudos do Trabalho e da Sociedade (IETS) analisou resultados das parcerias do Instituto Ayrton Senna com secretarias de Educação, abrangendo 947 municípios brasileiros, por um período de seis anos. A pesquisa foi realizada sob a coordenação do economista Ricardo Paes de Barros, e demonstrou o impacto real dos programas. O estudo aponta que o Instituto Ayrton Senna aumentou em até 11 vezes a velocidade do crescimento da taxa de aprovação escolar nas redes onde são implementadas as suas soluções educacionais.[11]
Por outro lado, um estudo recente fez algumas críticas às metodologias de avaliação utilizadas pelo Instituto, apontando algumas limitações metodológicas e em relação ao seu uso nas políticas públicas.[12]
Para realizar o seu trabalho, o Instituto Ayrton Senna conta com recursos oriundos de três fontes: royalties de licenciamento dos direitos relativos a Ayrton Senna e Senninha, cedidos integralmente pela família do piloto, parcerias com a iniciativa privada e doações de pessoas físicas.[13]
Empresas de vários países licenciam a imagem do tricampeão mundial de Fórmula 1 e dos personagens da Turma do Senninha, bem como as marcas a eles relativas, para agregar valor aos seus produtos e mostrar que acreditam nos valores defendidos por Ayrton Senna. O recurso arrecadado com os royalties é 100% destinado ao trabalho do Instituto Ayrton Senna.[13]
Empresas que apostam na educação para diminuir as desigualdades sociais investem recursos no trabalho que o Instituto Ayrton Senna desenvolve em todo o País. Muitas empresas também oferecem a sua expertise e o valioso tempo de seus profissionais a serviço da causa da educação.[14]
A base de doadores ao Instituto Ayrton Senna é composta por pessoas que acreditam no trabalho do Instituto e contribuem para que crianças e jovens de todo o Brasil tenham acesso a uma educação pública de qualidade.[14]
Uma das formas de contribuir é doando à organização a Nota Fiscal Paulista, sem CPF. É possível, também, ser um doador revertendo uma quantia mensal. Outras maneiras de ajudar são por meio da doação de pontos acumulados nos programas de compras online, adquirindo cartão de crédito ou títulos de capitalização de empresas parceiras do Instituto.[14]
Em 2011, o Instituto promoveu o Seminário Internacional "Educação para o Século 21", evento que reuniu representantes de todos os setores da sociedade e debateu a importância das competências não cognitivas como estratégia para melhorar a qualidade do aprendizado na escola pública. Realizado em cooperação com a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE) e com a Unesco, o seminário teve a participação, dentre vários especialistas na área, de James Heckman, Prêmio Nobel de Economia e professor da Universidade de Chicago.[15]
Em abril de 2011, foi concluído um inédito e extenso trabalho que compila e organiza as principais conclusões de 165 estudos nacionais e internacionais sobre os impactos de políticas de educação no aprendizado dos alunos. É o documento "Caminhos para Melhorar o Aprendizado", lançado em parceria com o movimento "Todos pela Educação". O trabalho está dividido nos seguintes temas: recursos da escola, plano e práticas pedagógicas, gestão da escola, gestão da rede de ensino e condições das famílias. É uma poderosa e avançada ferramenta para gestores, e contribui para a implementação de políticas públicas capazes de gerar mudanças efetivas no cenário da educação.[16]
Em março de 2018 o Instituto representou o Brasil no maior evento sobre educação do mundo, o SXSW-Edu, no Texas, Estados Unidos.[17]
Em 2018 o Instituto foi convidado pela Arcos Dourados, maior franquia de McDonald's do mundo, a participar do evento McDia Feliz, por conta da nova causa da companhia, a educação.[18]
O Instituto foi escolhido para representar o Brasil no Reimagine Education entre os dias 29 e 30 de novembro de 2018, o evento foi realizado em São Francisco, Estados Unidos. Um projeto do Instituto em parceria com a Unesp foi um dos 130 escolhidos para ser apresentado no evento educacional.[19]
Marcador: Eventos
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025
CT Nº 470 - PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA
A Proclamação da República Brasileira, também referida na História do Brasil como Golpe Republicano ou Golpe de 1889,[1] foi um golpe de Estado político-militar, ocorrido em 15 de novembro de 1889, que instaurou a forma republicana presidencialista de governo no Brasil, encerrando a monarquia constitucional parlamentarista do Império e, por conseguinte, destituindo o então chefe de Estado, imperador D. Pedro II, que em seguida recebeu ordens de partir para o exílio na Europa.[2]
A proclamação ocorreu na Praça da Aclamação (atual Praça da República), na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Império do Brasil, quando um grupo de militares do exército brasileiro, liderados pelo marechal Manuel Deodoro da Fonseca, destituiu o imperador e assumiu o poder no país, instituindo um governo provisório republicano, que se tornaria a Primeira República Brasileira.
O movimento de 15 de novembro de 1889 não foi o primeiro a tentar instituir uma república no Brasil, embora tenha sido o único efetivamente bem-sucedido, e, segundo algumas versões, teria contado com apoio tanto das elites nacionais e regionais quanto da população de um modo geral:
Em 1789, a conspiração denominada Inconfidência Mineira não buscava apenas a independência, mas também a proclamação de uma república na Capitania de Minas Gerais, seguida de uma série de reformas políticas, econômicas e sociais;
Em 1817, durante a Revolução Pernambucana — único movimento libertário do período de dominação portuguesa que ultrapassou a fase conspiratória e atingiu o processo revolucionário de tomada do poder —, a República foi proclamada pela primeira vez no Brasil, e Pernambuco teve governo provisório por 75 dias;
Em 1824, Pernambuco e outras províncias do Nordeste brasileiro (territórios que pertenceram outrora à província pernambucana) criaram o movimento independentista conhecido como Confederação do Equador, igualmente republicano, considerado a principal reação contra a tendência absolutista e a política centralizadora do governo de D. Pedro I;[6]
Em 1839, na esteira da Revolução Farroupilha, proclamaram-se a República Rio-Grandense e a República Juliana, respectivamente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.
A partir da década de 1870, como consequência da Guerra do Paraguai (também chamada de Guerra da Tríplice Aliança, 1864-1870), foi tomando corpo a ideia de alguns setores da elite de alterar o regime político vigente. Fatores que influenciaram esse movimento:
O imperador D. Pedro II não tinha filhos, apenas filhas. O trono seria ocupado, após a sua morte, por sua filha mais velha, a princesa Isabel, casada com o francês, Gastão de Orléans, Conde d'Eu, o que gerava o receio em parte da população de que o país fosse governado por um estrangeiro;[7]
O fato de os negros terem ajudado o exército na Guerra do Paraguai e, quando retornaram ao país, permaneceram como escravos, ou seja, não ganharam a alforria.[8]
O governo imperial, através do 37.º e último gabinete ministerial — chamado Gabinete Ouro Preto — empossado em 7 de junho de 1889 sob o comando do presidente do Conselho de Ministros do Império, Afonso Celso de Assis Figueiredo, o Visconde de Ouro Preto, do Partido Liberal, percebendo a difícil situação política em que se encontrava, apresentou, em uma última e desesperada tentativa de salvar o império, à Câmara-Geral, câmara dos deputados, um programa de reformas políticas do qual constavam, entre outras, as medidas seguintes: maior autonomia administrativa para as províncias, liberdade de voto, liberdade de ensino, redução das prerrogativas do Conselho de Estado e mandatos não vitalícios para o Senado Federal. As propostas do Visconde de Ouro Preto visavam a preservar o regime monárquico no país, mas foram vetadas pela maioria dos deputados de tendência conservadora que controlava a Câmara Geral. No dia 15 de novembro de 1889, a República era proclamada.
Muitos foram os fatores que levaram o Império a perder o apoio de suas bases econômicas, militares e sociais. Da parte dos grupos conservadores pelos sérios atritos com a Igreja Católica (na "Questão Religiosa"); pela perda do apoio político dos grandes fazendeiros em virtude da abolição da escravatura, ocorrida em 1888, sem a indenização dos proprietários de escravos.
Da parte dos grupos progressistas, havia a crítica que a monarquia mantivera, até muito tarde, a escravidão no país. Os progressistas criticavam, também, a ausência de iniciativas com vistas ao desenvolvimento do país fosse econômico, político ou social, a manutenção de um regime político de castas e o voto censitário, isto é, com base na renda anual das pessoas, a ausência de um sistema de ensino universal, os altos índices de analfabetismo e de miséria e o afastamento político do Brasil em relação a todos demais países do continente, que eram republicanos.
Assim, ao mesmo tempo em que a legitimidade imperial decaía, a proposta republicana — percebida como significando o progresso social — ganhava espaço. Entretanto, é importante notar que a legitimidade do Imperador era distinta da do regime imperial: Enquanto, por um lado, a população, de modo geral, respeitava e gostava de dom Pedro II, por outro lado, tinha cada vez em menor conta o próprio império. Nesse sentido, era voz corrente, na época, que não haveria um terceiro reinado, ou seja, a monarquia não continuaria a existir após o falecimento de dom Pedro II, seja devido à falta de legitimidade do próprio regime monárquico, seja devido ao repúdio público ao príncipe consorte, marido da princesa Isabel, o francês conde d'Eu. O conde tinha fama de arrogante, não ouvia bem, falava com sotaque francês e, além de tudo, era dono de cortiços no Rio, pelos quais cobrava aluguéis exorbitantes de gente pobre. Temia-se que, quando Isabel subisse ao trono, ele viesse a ser o governante de fato do Brasil.[9]
Embora a frase de Aristides Lobo (jornalista e líder republicano paulista, depois feito ministro do governo provisório), "O povo assistiu bestializado" à Proclamação da República, tenha entrado para a história, pesquisas históricas, mais recentes, têm dado outra versão à aceitação da República entre o povo brasileiro. É o caso da tese defendida por Maria Tereza Chaves de Mello (A República Consentida, Editora da FGV, EDUR, 2007), que indica que a República, antes e depois da proclamação, era vista popularmente como um regime político que traria o desenvolvimento, em sentido amplo, para o país.
No Rio de Janeiro, os republicanos insistiram que o Marechal Deodoro da Fonseca, um monarquista, chefiasse o movimento revolucionário que substituiria a Monarquia pela República.
Depois de muita insistência dos revolucionários, Deodoro da Fonseca concordou em liderar o movimento militar.
Segundo relatos históricos, em 15 de novembro de 1889, comandando algumas centenas de soldados que se movimentavam pelas ruas da cidade do Rio de Janeiro, o marechal Deodoro, assim como boa parte dos militares, pretendia apenas derrubar o então Chefe do Gabinete Imperial (equivalente a primeiro-ministro), o Visconde de Ouro Preto. "Os principais culpados de tudo isso [a proclamação da República] são o conde d'Eu e o Visconde de Ouro Preto: o último por perseguir o Exército e o primeiro por consentir nessa perseguição", diria mais tarde Deodoro.
O golpe militar, que estava previsto para 20 de novembro de 1889, teve de ser antecipado. No dia 14, os conspiradores divulgaram o boato de que o governo havia mandado prender Benjamin Constant Botelho de Magalhães e Deodoro da Fonseca. Posteriormente confirmou-se que era mesmo boato. Assim, os revolucionários anteciparam o golpe de Estado, e, na madrugada do dia 15 de novembro, Deodoro dispôs-se a liderar o movimento de tropas do exército que colocou um fim no regime monárquico no Brasil.
Os conspiradores dirigiram-se à residência do marechal Deodoro, que estava doente, com dispneia,[20] e acabam por convencê-lo a liderar o movimento. Aparentemente decisivo para Deodoro foi saber que, a partir de 20 de novembro, o novo Presidente do Conselho de Ministros do Império seria Gaspar Silveira Martins, um velho rival. Deodoro e Silveira Martins eram inimigos desde o tempo em que o marechal servira no Rio Grande do Sul, quando ambos disputaram as atenções da baronesa do Triunfo, viúva muito bonita e elegante, que, segundo os relatos da época, preferira Silveira Martins. Desde então, Silveira Martins não perdia oportunidade para provocar Deodoro da tribuna do Senado, insinuando que malversava fundos e até contestando sua eficácia enquanto militar.
Além disso, o major Frederico Sólon de Sampaio Ribeiro dissera a Deodoro que uma suposta ordem de prisão contra ele havia sido expedida, argumento que convenceu finalmente o velho marechal a proclamar a República no dia 16 e a exilar a Família Imperial já à noite, de modo a evitar uma eventual comoção popular.
Convencido de que seria preso pelo governo imperial, Deodoro saiu de sua residência ao amanhecer do dia 15 de Novembro, atravessou o Campo de Santana e, do outro lado do parque, conclamou os soldados do batalhão ali aquartelado, onde hoje se localiza o Palácio Duque de Caxias, a se rebelarem contra o governo. Ofereceram um cavalo ao marechal, que nele montou, e, segundo testemunhos, tirou o chapéu e proclamou "Viva a República!". Depois apeou, atravessou novamente o parque e voltou para a sua residência. A manifestação prosseguiu com um desfile de tropas pela Rua Direita, atual rua 1.º de Março, até o Paço Imperial.
Os revoltosos ocuparam o quartel-general do Rio de Janeiro e depois o Ministério da Guerra. Depuseram o Gabinete ministerial e prenderam seu presidente, Afonso Celso de Assis Figueiredo, Visconde de Ouro Preto.
No Paço Imperial, o presidente do gabinete (primeiro-ministro), Visconde de Ouro Preto, havia tentando resistir pedindo ao comandante do destacamento local e responsável pela segurança do Paço Imperial, general Floriano Peixoto, que enfrentasse os amotinados, explicando ao general Floriano Peixoto que havia, no local, tropas legalistas em número suficiente para derrotar os revoltosos. O Visconde de Ouro Preto lembrou a Floriano Peixoto que este havia enfrentado tropas bem mais numerosas na Guerra do Paraguai. Porém, o general Floriano Peixoto recusou-se a obedecer às ordens dadas pelo Visconde de Ouro Preto e assim justificou sua insubordinação, respondendo ao Visconde:
“Sim, mas lá (no Paraguai) tínhamos em frente inimigos e aqui somos todos brasileiros!”
Em seguida, aderindo ao movimento republicano, Floriano Peixoto deu voz de prisão ao chefe de governo Visconde de Ouro Preto.
O único ferido no episódio da proclamação da República foi o Barão de Ladário, que resistiu à ordem de prisão dada pelos amotinados e levou um tiro. Consta que Deodoro não dirigiu crítica ao Imperador dom Pedro II e que vacilava em suas palavras. Relatos dizem que foi uma estratégia para evitar um derramamento de sangue. Sabia-se que Deodoro da Fonseca tinha ao seu lado o tenente-coronel Benjamin Constant e naquele momento também alguns líderes republicanos civis.
Na tarde do mesmo dia 15 de novembro, na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, foi solenemente proclamada a República.
À noite, na Câmara Municipal do Município Neutro, o Rio de Janeiro, José do Patrocínio redigiu a proclamação oficial da República dos Estados Unidos do Brasil, aprovada sem votação. O texto foi para as gráficas de jornais que apoiavam a causa, e, só no dia seguinte, 16 de novembro, foi anunciado ao povo a mudança do regime político do Brasil.
Dom Pedro II, que estava em Petrópolis, retornou ao Rio de Janeiro. Pensando que o objetivo dos revolucionários eram apenas substituir o Gabinete de Ouro Preto, o Imperador D. Pedro II tentou ainda organizar outro gabinete ministerial, sob a presidência do conselheiro José Antônio Saraiva. O imperador, em Petrópolis, foi informado e decidiu descer para a Corte. Ao saber do golpe de Estado, o Imperador reconheceu a queda do Gabinete de Ouro Preto e procurou anunciar um novo nome para substituir o Visconde de Ouro Preto. No entanto, como nada fora dito sobre República até então, os republicanos mais exaltados espalharam o boato de que o Imperador escolhera Gaspar Silveira Martins, inimigo político de Deodoro da Fonseca desde os tempos do Rio Grande do Sul, para ser o novo chefe de governo.[23] Deodoro da Fonseca então convenceu-se a aderir à causa republicana. O Imperador foi informado disso e, desiludido, decidiu não oferecer resistência.
No dia seguinte, o major Frederico Sólon de Sampaio Ribeiro entregou a dom Pedro II uma comunicação, o cientificando da proclamação da República e ordenando sua partida para a Europa, a fim de evitar conturbações políticas. A família imperial brasileira exilou-se na Europa, só lhes sendo permitida a sua volta ao Brasil na década de 1920. Em 19 de novembro de 1889, quando as primeiras notícias da proclamação chegavam aos Estados Unidos e Reino Unido, o chanceler do consulado brasileiro em Nova Iorque se referiu aos soldados no Rio de Janeiro como "desprovidos de disciplina ou coragem", reduzindo o movimento como uma "revolta militar no Rio de Janeiro, e nada de mais". Ele também declarou que tudo foi muito rápido e que "não foi uma revolta do povo".
Fonte: https://pt.wikipedia.org/
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CT Nº 469 - TELEFONE PÚBLICO
O Orelhão da Telesp é a sua voz. Não deixe ninguém calar.
Data dos longínquos anos 1920, a instalação dos primeiros telefones de acesso público, no Brasil. A população do país atingia, então, a marca dos 30 635 605 habitantes.[3] Dotados de uma caixa coletora de moedas, adaptada a um aparelho comum, esses telefones semipúblicos eram encontrados em estabelecimentos comerciais que firmavam contrato com a Companhia Telefônica Brasileira, empresa de capital canadense que, à época, era responsável pela telefonia nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Os telefones realmente públicos só chegaram às calçadas brasileiras em meados de 1971, quando mais de 93 milhões de pessoas já habitavam o vasto território nacional e nem se sonhava em carregar um telefone no bolso ou bolsa. A telefonia móvel era algo apenas do imaginário[nota 1] e o telefone celular só seria lançado em 1973,[nota 2] acessível a bem poucos.
Dos quase 100 milhões de habitantes do Brasil, 52 milhões viviam em áreas urbanas, segundo dados do IBGE. O resultado disso é que, em muitos locais, ouvir e ser ouvido a partir de um telefone público, instalado no meio da rua, representava um verdadeiro desafio. Como solução para o problema, a CTB desenvolveu cabines circulares de fibra de vidro e acrílico e, para testar a novidade, instalou 13 delas na cidade de São Paulo. O resultado não agradou à companhia que detectou utilização inadequada do equipamento, alto índice de vandalismo e concluiu ainda, que a espaçosa cabine, além de abafada, acabava por disputar com os transeuntes, o exíguo espaço das calçadas.
Fonte:pt.wikipedia.org/
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CT Nº 468 - ALFABETO MANUAL
Utilizado pelos surdos brasileiros desde 1856
É um recurso das línguas de sinais que utiliza as mãos para representar o alfabeto das línguas orais. Cada letra ou número são representadas por configurações de mão específicas. O Alfabeto Manual também é conhecido como Alfabeto Digital, Datilologia ou Dactilologia.
Informações importantes sobre o Alfabeto Manual
A comunicação em línguas de sinais ocorre por meio de sinais e não apenas por meio do alfabeto manual. Para a maioria das palavras existe um sinal específico em Libras;
Isso significa que não é necessário utilizar o alfabeto manual para soletrar todas as palavras;
Utilizar apenas o alfabeto manual em uma conversação seria além de cansativo, extremamente demorado e difícil para compreender;
O alfabeto manual é um recurso utilizado para escrever palavras que não tenham um sinal específico na Libras. Ele é considerado, portanto, um empréstimo linguístico da língua portuguesa.
Qual a função do Alfabeto Manual?
A principal função do alfabeto manual é auxiliar na intercomunicação entre duas línguas diferentes, a oral e a de sinais, a fim de superar a barreira na comunicação, portanto é uma ferramenta muito útil no aprendizado das línguas de sinais;
Quando usamos o Alfabeto Manual?
Exemplos de situações onde geralmente usamos o alfabeto manual:
Para perguntar ou responder o nome de pessoas, lugares, marcas e termos técnicos que ainda não possuem sinal próprio em Libras;
Para perguntar os sinais que ainda não conhecemos. Por exemplo, se alguém não conhece o sinal de Alemanha, pode perguntar soletrando A-L-E-M-A-N-H-A;
Para explicar ao surdo a forma escrita de uma palavra em língua portuguesa;
Para sinalizar uma palavra da língua portuguesa que por empréstimo passou a pertencer à Libras. Exemplo: CPU, USB.
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CT Nº 467 - BICENTENÁRIO DE NASCIMENTO DO IMPERADOR DOM PEDRO I – 1798-1998 - INSÍGNIA DA IMPERIAL ORDEM DA ROSA
Criada pelo Decreto de 17 de outubro de 1829 para perpetuar a memória do segundo casamento do Imperador D. Pedro I com D. Amélia de Leuchtenberg.
Acervo Museu Histórico Nacional
Foto: Rômulo Fialdini
Participe do seminário “ D.Pedro: Estadista de dois Mundos” de 13 a 16 de outubro de 1998, no Museu Histórico Nacional.
Marcador: Personalidade
CT Nº 466 - SÉRIE TP EM QUADRINHOS
Série TP em Quadrinhos
PERSONAGEM: NATALIA
Projeto Fala Menino!
Luís Augusto Gouveia
Marcador: Personalidade
CT Nº 464 - BRASIL NA ANTÁRTICA – PENÍNSULA KELLER
Navio de Apoio Oceanográfico Barão de Teffé.
O NApOc Barão de Teffé (H-42) foi um navio do tipo quebra-gelo com a função de apoio oceanográfico da Marinha do Brasil. O nome do navio homenageia o diplomata, geógrafo, político e Almirante brasileiro Antônio Luís von Hoonholtz (1837-1931).
Construído como um navio cargueiro na Dinamarca, foi lançado ao mar em 1957.[3]
Em 1982 foi adquirido pela Marinha do Brasil e re-equipado para fazer parte da Operação Antártica (OPERANTAR 1) do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR). Foi uma das embarcações pioneiras das missões brasileiras ao continente gelado, tendo participado em 12 Operações Antártica. Foi do convés do Barão de Teffé que partiu o helicóptero que realizou o primeiro pouso na Antártica.[4][1]
Entre 2 e 13 de dezembro de 1984, o Navio de Apoio Oceanográfico (NApOc) Barão de Teffé (H-42), participou da instalação do farolete Comandante Ferraz na ilha do Rei George, arquipélago das Shetland do Sul, Antártica. Encerrou as suas viagens ao Continente Antártico em 1994, após o regresso da Operação Antártica XII.[5]
Em janeiro de 1995 realizou sua primeira missão como navio farol e em 23 de julho de 2002 o H-42 recebeu baixa do serviço militar.[1] Foi sucedido pelo navio oceanográfico Ari Rangel.[6]
Capa de revista em 1982
Em 1982 o navio foi capa da Revista Marítima Brasileira, que também retratou o emblema da embarcação científico-militar numa reportagem sobre a presença do Brasil no continente gelado.[7]
Marcador: Equipamentos
CT Nº 463 - EDIFICIO NIEMEYER – PRAÇA DA LIBERDADE
Uma das obras mais geniais de Oscar Niemeyer localizado na Praça da Liberdade de Belo Horizonte-MG.
O edifício situa-se na Praça da Liberdade, na esquina com a Avenida Brasil. O prédio, em estilo moderno, possui curvas sinuosas que remetem às linhas das Serras mineiras[1]. Caracteriza-se pela planta com fachadas sinuosas cobertas por brises horizontais que protegem da insolação e conferem privacidade aos apartamentos, ao passo em que mantém a paisagem livre para seus ocupantes.[2]
Foi projetado pelo arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer, uma década depois das obras do Conjunto Arquitetônico da Pampulha, em 1954, e teve sua obra concluída em 1960.[2] Foi construído no lugar do Palacete Dolabela[3].
Fonte: https://pt.wikipedia.org/
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CT Nº 462 - OUROCAP
Procure seu Outocap nas agências Banco do Brasil ou ligue 0800-231032
Ourocap. Capitalizou, ganhou.
PROPAGANDA DO BANCO DO BRASIL
Marcador: Publicidade
CT Nº 461 - DISTRITO FEDERAL
Brasília: É a capital federal do Brasil e a sede de governo do Distrito Federal. A capital está localizada na região Centro-Oeste do país, ao longo da região geográfica conhecida como Planalto Central. Segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2021, sua população era de 3 094 325 habitantes (4 284 676 em sua área metropolitana), sendo, então, a terceira cidade mais populosa do país. Brasília é também a quinta concentração urbana mais populosa do Brasil. A capital brasileira é a maior cidade do mundo construída no século XX.
A cidade possui o maior produto interno bruto per capita em relação às capitais,[12] o quarto maior entre as principais cidades da América Latina e cerca de três vezes maior que a renda média brasileira.[13] Como capital nacional, Brasília abriga a sede dos três poderes da República (Executivo, Legislativo e Judiciário) e 127 embaixadas estrangeiras.[14] A política de planejamento da cidade, como a localização de prédios residenciais em grandes áreas urbanas, a construção de enormes avenidas que atravessam a cidade e a sua divisão em setores, tem provocado debates sobre o estilo de vida nas grandes cidades no século XX. O projeto da cidade a divide em blocos numerados, além de setores para atividades pré-determinadas, como o Setor Hoteleiro, Bancário ou de Embaixadas.
O plano urbanístico original da capital, conhecido como "Plano Piloto" (nome que seria dado a região administrativa onde fica localizada), foi elaborado pelo urbanista e arquiteto Lúcio Costa, que, aproveitando o relevo da região, adequou-o ao projeto do lago Paranoá, concebido em 1893 pela Missão Cruls. A cidade começou a ser planejada e desenvolvida em 1956 por Lúcio Costa, pelo também arquiteto Oscar Niemeyer e pelo engenheiro estrutural Joaquim Cardozo. Inaugurada em 21 de abril de 1960, pelo então presidente Juscelino Kubitschek, Brasília tornou-se formalmente a terceira capital do Brasil, após Salvador e Rio de Janeiro. Vista de cima, a principal área da cidade é descrita frequentemente como tendo o formato de um avião, mas a proposta inicial de Lúcio Costa era de que se assemelhasse ao sinal da cruz, e um dos eixos foi depois arqueado para se adaptar ao relevo da região.
A cidade tem um estatuto único no Brasil, já que é uma divisão administrativa distinta de um município legal, como outras cidades brasileiras, semelhante ao que acontece com Washington, D.C., nos Estados Unidos, e com Camberra, na Austrália. A cidade, comumente referida como "Capital Federal" ou "BSB", é considerada um Patrimônio Mundial pela UNESCO, desde 7 de dezembro de 1987,[21] devido ao seu conjunto arquitetônico e urbanístico[22] e possui a maior área tombada do mundo, com 112,5 quilômetros quadrados.
Em 1954, o marechal José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque foi convidado pelo presidente Café Filho para ocupar a presidência da Comissão de Localização da Nova Capital Federal, encarregada de examinar as condições gerais de instalação da cidade a ser construída. Em seguida, Café Filho homologou a escolha do sítio da nova capital e delimitou a área do futuro Distrito Federal, determinando que a comissão encaminhasse o estudo de todos os problemas relacionados à mudança. A Comissão de Planejamento e Localização da Nova Capital, sob a Presidência de José Pessoa, foi a responsável pela exata escolha do local onde hoje se ergue Brasília.
A idealização do plano-piloto também foi obra da mesma comissão que, em robusto relatório, redigido pelo Marechal José Pessoa, de título "Nova Metrópole do Brasil" e entregue ao Presidente Café Filho, detalhando os pormenores do arrojado planejamento que se realizou.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Brasilia_-_Plan.JPGhttps://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Brasilia_-_Plan.JPGPlano Piloto de Brasília, projetado pelo urbanista Lúcio Costa.
O marechal José Pessoa não imaginou o nome da capital como Brasília, mas sim Vera Cruz, de modo a caracterizar o sentimento de um povo que nasceu sob o signo da Cruz de Cristo e estabelecendo ligação com o primeiro nome dado pelos descobridores portugueses. O plano elaborado respeitava uma determinada interpretação da história e não descaracterizava as tradições brasileiras. Grandes avenidas chamar-se-iam "Independência", "Bandeirantes", etc., diferentes, portanto, das atuais siglas alfanuméricas de Brasília, como W3, SQS, SCS, SMU e outras.
Por discordâncias com o presidente Juscelino Kubitschek, o marechal José Pessoa abandonou a presidência da comissão, tendo sido sucedido pelo coronel do exército Ernesto Silva, que era o secretário da comissão. Ernesto Silva, que também era médico, foi nomeado na sequência presidente da Comissão de Planejamento da Construção e da Mudança da Capital Federal (1956) e Diretor da Companhia Urbanizadora da Nova Capital – Novacap (1956/61), tendo assinado o Edital do Concurso do Plano Piloto, em 1956, publicado no Diário Oficial da União no dia 30 de setembro de 1956.
No ano de 1955, durante um comício na cidade goiana de Jataí, o então candidato à presidência, Juscelino Kubitschek, foi questionado por um eleitor se respeitaria a constituição, interiorizando a capital federal, ao que Juscelino afirmou que transferiria a capital. Eleito, Juscelino estabeleceu a construção de Brasília como "meta-síntese" de seu "Plano de Metas".
O traçado de ruas de Brasília obedece ao plano piloto implantado pela empresa Novacap a partir de um anteprojeto do arquiteto Lúcio Costa, escolhido através de concurso público nacional. O arquiteto Oscar Niemeyer e o engenheiro estrutural Joaquim Cardozo projetaram os principais prédios públicos da cidade.[16] Para fazer a transferência simbólica da capital do Rio para Brasília, Juscelino fechou solenemente os portões do Palácio do Catete, então transformado em Museu da República, às 9 da manhã do dia 21 de abril de 1960, ao que a multidão reagiu com aplausos. A cidade de Brasília foi inaugurada no mesmo dia e mês em que ocorreu a execução de Joaquim José da Silva Xavier, líder da Inconfidência Mineira, e a fundação de Roma.
O princípio básico das estratégias políticas de Juscelino Kubitschek, segundo o próprio, era apropriado do moralista francês Joseph Joubert, para quem "não devemos cortar o nó que podemos desatar". Com base nessa máxima, Kubitschek viabilizou a construção de Brasília, oferecendo várias benesses à oposição, criando fatos consumados e queimando etapas. Apesar de a cidade ter sido construída em tempo recorde, a transferência efetiva da infraestrutura governamental só ocorreu durante os governos militares, já na década de 1970. Todavia, ainda no século XXI, muitos órgãos do governo federal brasileiro continuam sediados na cidade do Rio de Janeiro.[47] O efeito provocado pelo modernismo da cidade recém-construída foi resumido pela declaração do cosmonauta Yuri Gagarin, primeiro homem a viajar para o espaço, ao visitá-la em 1961: "Tenho a impressão de que estou desembarcando num planeta diferente, não na Terra".
Alguns dos fatores que mais influenciaram a transferência da capital foram a segurança nacional, pois acreditava-se que, com a capital no litoral, ela estava vulnerável a ataques estrangeiros (argumento militar-estratégico que teve como precursor Hipólito José da Costa), e uma interiorização do povoamento e do desenvolvimento e integração nacional, já que, devido a fatores econômicos e históricos, a população brasileira concentrou-se na faixa litorânea, ficando o interior do país pouco povoado. Assim, a transferência da capital para o interior forçaria o deslocamento de um contingente populacional e a abertura de rodovias, ligando a capital às diversas regiões do país, o que levaria a uma maior integração econômica. Planejada para ter uma população de 500 mil habitantes no ano 2000,[48] a população de Brasília já atingia 1,515 milhão de habitantes em 1991, considerando-se todo o Distrito Federal.[49] Brasília é hoje a terceira cidade mais populosa do Brasil, depois de São Paulo e Rio de Janeiro, além da quinta concentração urbana mais populosa do país, superada apenas por São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Recife.
Brasília possui a maior desigualdade de renda entre as capitais brasileiras, além de ser uma das capitais em que mais se registram homicídios para cada cem mil habitantes no país.Na região administrativa de Ceilândia está localizada a segunda mais populosa favela do Brasil, a comunidade do Sol Nascente, com 61 mil habitantes — segundo estimativas de lideranças locais, no entanto, a população seria de 100 mil pessoas, que superaria a da Rocinha, no Rio de Janeiro.
Os índices de criminalidade são altos principalmente no Entorno do Distrito Federal. Segundo sociólogos, a criminalidade no Distrito Federal, principalmente nas cidades-satélites, é uma herança do crescimento desordenado, ainda que assentado em núcleos urbanos planejados. Os níveis de criminalidade no DF estão entre os maiores do Brasil, chegando ao ponto de haver uma média de até dois assassinatos diários.Em 2012, houve 1031 homicídios, com taxa de 38,9 por 100 mil habitantes, a 478º maior do país.Existem diversas propostas para tentar diminuir a criminalidade na capital: entre elas, um maior policiamento, medida esta que, aplicada, tem levado a uma retração da violência.
Brasília não possui prefeito e vereadores, pois o artigo 32 da Constituição Federal de 1988 proíbe expressamente que o Distrito Federal seja dividido em municípios, sendo considerado uno.
O Distrito Federal é pessoa jurídica de direito público interno, ente da estrutura político-administrativa do Brasil de natureza sui generis, pois não é nem um estado nem um município, mas sim um ente especial que acumula as competências legislativas reservadas aos estados e aos municípios, conforme dispõe o art. 32, § 1º da CF, o que lhe dá uma natureza híbrida de estado e município.
O poder executivo do Distrito Federal foi representado pelo prefeito do Distrito Federal até 1969, quando o cargo foi transformado em governador do Distrito Federal.
O poder legislativo do Distrito Federal é representado pela Câmara Legislativa do Distrito Federal, cuja nomenclatura representa uma mescla de assembleia legislativa (poder legislativo das demais unidades da federação) e de câmara municipal (legislativo dos municípios). A Câmara Legislativa é formada por 24 deputados distritais.
O poder judiciário que atende ao Distrito Federal também atende a territórios federais. O Brasil não possui territórios atualmente, portanto, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios só atende ao Distrito Federal.
Série: Capitais Brasileiras
Marcador: Capitais Brasileiras
quinta-feira, 30 de janeiro de 2025
CT Nº 460 - PANORAMA DE QUIXERAMOBIM
Município cearense cuja denominação é de origem indígena, não sabendo ao certo de qual tribo. Por esse motivo possui diversos significados como: Pássaro verde, carne gorda e serrote d’agua.
Quixeramobim é um município brasileiro do estado do Ceará. É a segunda cidade mais populosa do sertão central, com uma população de 81.778 habitantes em 2020 e a primeira mais rica. Ocupa a 13ª posição no ranking de cidades mais populosas cearenses.
O volume 16º da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros conta que, segundo a tradição, os primitivos habitantes da região eram os índios quixarás. Os primeiros descendentes de europeus que penetraram aquelas terras vieram do Jaguaribe, seguindo o Rio Banabuiú eram membros das famílias Correia Vieira e Rodrigues Machado, que ali se estabeleceram com fazendas de criar. A povoação parece ter nascido precisamente dessas fazendas.[5]
Em 7 de novembro de 1702, o Capitão-mor Francisco Gil Ribeiro, governador da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, concedeu as primeiras sesmarias às margens do Rio Ibu, nome pelo qual os indígenas daquela época chamavam o atual Rio Quixeramobim.
Dentre as sesmarias concedidas, uma coube ao alferes Francisco Ribeiro de Sousa, cujas terras passaram, posteriormente, a Gil de Miranda e sua mulher Ângela de Barros, bem como ao padre Antônio Rodrigues Frazão. Aos segundos possuidores, comprou-as o Capitão Antônio Dias Ferreira, português, natural da cidade do Porto e nelas fundou a fazenda "Boqueirão de Santo Antônio", iniciando, em 1730, nesse local, a construção de uma capelinha da qual veio a se tornar orago o taumaturgo Santo Antônio de Pádua, mais tarde Santo Antônio de Quixeramobim.[5]
Antônio Dias Ferreira tornou-se elemento de fortuna avultada, possuindo vinte léguas de terras, a começar do lugar Espírito Santo, além de Boa Viagem, até a barra do Sitiá, onde tinha grandes fazendas de cavalos e mulas, com feitorias de escravos de Angola. O rico devoto, construindo aquele templo, o fez com empenho e magnificência, até mandando vir artistas de Portugal.
À referida capela, o capitão Antônio Dias Ferreira doou meia légua de terras "com trinta vacas cituadas", tendo custeado, ainda, as grandes reformas por que passou aquele templo.
Em 15 de novembro de 1755, esse templo é elevado à categoria de matriz, com a criação da paróquia, por provisão do religioso carmelita Frei Manuel de Jesus Maria, autorizado pelo bispo de Pernambuco, D. Francisco Xavier Aranha.
Em 22 de fevereiro de 1789, o governador de Pernambuco, D. Tomás José de Melo, em face da Carta Régia de 22 de julho de 1766, autoriza ao Dr. Manuel de Magalhães Pinto e Avelar de Barbedo, ouvidor-geral da comarca do Ceará, a elevar à categoria de vila a então povoação de Santo Antônio do Boqueirão de Quixerarnobim, instalando-se o município no dia 13 de junho de 1789, com a denominação de Nova Vila do Campo Maior.[5]
A casa da câmara, de estilo colonial, teve sua construção iniciada em 1818, concluindo-se os trabalhos em 1857.
Compunham a primeira câmara municipal: juízes ordinários - sargento-mor José Pimenta de Aguiar e capitão-mor Antônio Pinto Borges; vereadores - José dos Santos Lessa, Antônio José Fernandes do Amaral e Antônio das Virgens Lisboa; procurador - Domingos de Carvalho Andrade; e juiz de órfãos - tenente-general Vicente Alves da Fonseca.
A Confederação do Equador, no Ceará, teve início em Quixeramobim, quando a Câmara Municipal, no dia 9 de janeiro de 1824, declara decaída a Dinastia Bragantina e proclama uma República, como represália à atitude de Dom Pedro I em dissolver a Assembleia Constituinte e querer outorgar ao País uma constituição sem anuência do povo brasileiro.
A primeira escola pública de meninos, criada pela Lei Nº 1827, tinha como primeiro professor a Pedro Jaime de Alencar Araripe; a escola, para meninas, era dirigida pela professora Joana Antônio do Sacramento.
Na terceira década do Século XIX o município foi palco de terríveis lutas, entre Araújos e Maciéis, descritas em Os Sertões, de Euclides da Cunha, ao registrar antecedentes da família de Antônio Conselheiro.
No último quartel do Século XVIII, o tenente-general Vicente Alves da Fonseca construiu, nas terras de sesmarias do riacho Pirabibu, que lhe foram concedidas pelo capitão-mor João Teyve Barreto de Menezes, em 23 de novembro de 1744, o primeiro açude público do Ceará.[5]
A Nova Vila do Campo Maior, pela Lei Nº 770, de 14 de agosto de 1856, adquiriu foros de cidade, com a simples denominação de Quixeramobim. O primeiro prefeito foi Dr. Cornélio José Fernandes de 1888 a 1891.
A partir de 1857 o templo de Santo Antônio, não obstante a reforma que lhe fez, em 1789, o capitão Narciso Gomes da Silva, natural do Cabo (Pernambuco), já não comportava o número de fiéis que o frequentavam. Terrível febre epidêmica ocorrida na cidade não permitiu que continuasse, na penúltima década do século XIX, a necessária reforma, vindo esta a ser reiniciada em 1902, por monsenhor Salviano Pinto Brandão, entregues os trabalhos à orientação do coronel Rafael Pordeus da Costa Lima. Concluída, em 1916, a matriz, com suas duas torres e frontispício neoclássico, é um monumento de rara beleza.[5]
A comarca de Quixeramobim, instituída em 6 de março de 1833, teve como primeiro juiz de direito o Dr. Antônio Pereira Ibiapina, cognominado mais tarde "Apóstolo do Nordeste", pelas inúmeras obras de assistência moral e social prestadas às populações sertanejas das províncias do Ceará, Paraíba e Pernambuco.
Quixeramobim possui a alcunha "Coração do Ceará", por abrigar o ponto de equidistância geodésica do estado, localizado em um marco obelisco com cerca de dez metros de altura, na Praça Dias Ferreira, feito em granito e aço. O município está dividido em dez distritos: Belém, Encantado, Manituba, Nenelândia, Uruquê, Lacerda, Damião Carneiro, Passagens, São Miguel.
Praticamente todo o território do município está na bacia hidrográfica do rio Banabuiú, que corta a parte sul do seu território. Contudo, o principal curso d'água é o rio Quixeramobim que é um afluente do Banabuiú. É no rio Quixeramobim que estão as principais barragens do município, o açude Quixeramobim e o açude Fogareiro.
A vegetação presente em praticamente todo município é a caatinga arbustiva densa ou aberta, caracterizada pela presença de cactos e vegetação rasteira com árvores baixas e cheias de espinho. Apenas em uma pequena área no extremo sudoeste, próximo à fronteira com Pedra Branca ocorre a floresta caducifólia espinhosa, ou caatinga arbórea. Sua cobertura vegetal tem sofrido grande intervenção desde a fundação do município, através de desmatamentos e queimadas com o objetivo de preparar o solo para a agricultura e, em grande parte, para a pecuária extensiva.
O clima é semiárido, com chuvas concentradas de fevereiro a maio. O índice pluviométrico é de 713 milímetros (mm) anuais.[6] Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), referentes ao período de 1961 a 1984 e a partir de 1994, a menor temperatura registrada em Quixeramobim foi de 13,7 °C em 2 de agosto de 1977 e a maior atingiu 39,6 °C em 19 de outubro de 1998.[7] O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de 179,8 mm em 6 de março de 1936. Outros grandes acumulados iguais ou superiores a 100 mm foram: 142,4 mm em 30 de março de 1977, 137,8 mm em 7 de maio de 1936, 111,2 mm em 10 de fevereiro de 1978, 109 mm em 17 de abril de 1984 e 106,8 mm em 9 de abril de 1973.
Fonte: https://pt.wikipedia.org/
Marcador: Municípios Brasileiros
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